segunda-feira, 8 de outubro de 2012



O RECADO

Mãe,

Tenho de ir a casa do Gonçalo: ele ficou-me com o livro de Português.
 Não fiques preocupada por eu não estar em casa.
Volto brevemente!

                                            Manuel Morais   

 

Querias!!!!

   Oriana andava a passear e olhava encantada para a sua floresta que tinha árvores de copas grandes, despenteadas, altas e baixas; arbustos ... as mais diversas histórias e um céu onde o sol brilhava mais do que diamantes.

 Os rios eram azuis e extensos, com águas cintilantes como as estrelas e com peixes das mais diversas cores e formas.

-Oriana, ó minha amiga, Oriana! Sou eu, o teu amigo nadador, aqui na relva, cá em baixo! - disse uma voz rouca.

Oriana olhou para baixo, e viu o indefeso peixe , deitado sobre a relva verde como a alface. Grandes gotas de orvalho que pareciam pérolas enormes mantinham o peixe com vida, mas por pouco tempo.

Então, ela agarrou num pote, encheu-o de água e meteu o peixe lá dentro.

-Quero-me certificar que não foges. Cobarde  como és, já não acredito em ti! Além disso, quero-te contar as desgraças que me causaste: fugiste quando mais precisei de ti, que amigo, não é? Andei descalça pelo chão cruel que me rasgava os pés; andei pela cidade onde fui pisada vezes sem conta, aquilo é uma confusão. Ouvi histórias horríveis acerca daquilo que aconteceu; fui vezes sem conta aos montes, e só quando impedi  que o abismo engolisse a velha sem dó, é que recebi as minhas asas de volta! – enumerou Oriana.

-Oh! Coitado de mim! O teu melhor amigo peixe, só te fez elogios. Com o devido respeito, que mal agradecida tu és! - protegeu-se o peixe.

 -Mentiroso! - atirou Oriana

-Eu!? Eu não sabia de nada!!

-Sim, tu sabias! Se vives na minha floresta: como não sabias que eu tinha uma promessa? - rematou Oriana

-Eu sou novo cá - respondeu indignado.

-Já agora, não és meu amigo! -disse Oriana - Vou levar-te para fazeres companhia àvelha.

 E lá foi ela até á casa da velha.

Quando lá chegou, deixou o pote como peixe  lá dentro, e com  um bilhete que dizia:

Agora  já não estas só, conta com  o peixe para tudo o que  precisares. Claro que eu não vou de deixar de te  visitar.

 

                                                      Assinado

                                A Fada Oriana

 

-Ah! Afinal eu tinha razão! Elas existem, existem mesmo! – exclamou a velha.

- Obrigada! Obrigada!!- exclamou a velha olhando para o céu.
Raquel
 

terça-feira, 1 de maio de 2012

O peixe e Oriana reencontram-se

                                                Esta imagem veio daqui.


Num dia luminoso, Oriana estava a passear pela floresta, vendo se  tudo estava bem. Entretanto, ela ouviu uma voz.

Essa voz gritava:

-Socorro, socorro, socorro! Alguém me ajude.

Oriana voou, voou, mas não encontrou nada encontrou nada. Chegou ao rio e viu o peixe a saltar na relva verde; quase que não respirava.

Oriana disse-lhe:

-Não sei se te vou ajudar, tu mentiste-me.

O peixe pensou no que tinha feito e responseu:

-Desculpa, Oriana! Eu prometo, palavra de peixe! Não te vou desiludir mais. Salva-me, Oriana!

Oriana pensou, pensou e disse:

-Sim peixe! Eu ajudo-te, mas não me desiludas.

Oriana pegou no peixe, pô-lo na água e virou-lhe as costas.

O peixe chamou-a e disse-lhe agradecido:

-Espera aí, Oriana! Obrigado! Se tu precisares de algo, estou aqui. -agradeceu o peixe. 

Alexandre 

Oriana e o Peixe


Num dia de verão, à uma da tarde, Oriana voava à beira do rio quando viu o peixe na margem.

   -Olá, peixe!

   -Oriana, ajuda-me, por favor!

   -Ajudo-te, mas é só por causa da minha promessa, senão cozinhava-te.

   Oriana pegou nele e pô-lo na água.

   -Tu estás muito mal penteada. Antes, enfeitavas-te com as flores que punhas no cabelo.

   -Eu prefiro estar sem flores, tenho de pensar nos outros e não pensar em mim. E que história foi essa de dizeres que eu estava apaixonada por ti?

   O peixe, muito envergonhado, mergulhou e desapareceu.

-Ingrato e, ainda por cima, mal educado.

   Oriana decidiu que não voltaria a ajudar o peixe.

   -Agora que todos sabem que há uma fada na floresta, hoje à noite, vou dar uma festa.

   Oriana transformou pedrinhas brancas num delicioso jantar e num grande bolo. Todos os homens e animais se divertiram, excepto o peixe, que estava agora sozinho e sem amigos.

Bruno Ferreira

                                                     Esta imagem veio daqui.

O reencontro com o peixe



Oriana ia a caminho da casa do moleiro e olhou para o rio, para ver se estava tudo bem.
-Ah! Que agradável que é o perfume dos lírios e dos malmequeres!- exclamou Oriana.
Dirigiu-se até a uma das margens e apanhou um ramo de lírios brancos para dar ao Poeta. Na outra margem, viu uma coisa laranja a saltitar. Era o peixe! Oriana interrogou-o:
-E agora?! Também foste atrás de uma mosca ou de uma borboleta?
-De uma borboleta. Por favor, ajuda-me! - implorou o peixe.
-Para quê? Para me enganares de novo? Nem pensar.
-Por favor! Não queres que a Rainha das Fadas te tire de novo as asas e a varinha de condão por não me salvares, pois não?- chantageou o peixe.
-Está bem, mas promete-me uma coisa.- pediu Oriana.
-Tudo o que quiseres.
-Dá-me três pedrinhas brancas para amanhã ir à casa do lenhador. Hoje só transformei duas, as últimas que lá havia em redor.
-Está bem.
Oriana pôs o peixe com cuidado na água e ele disse:
-Volto já!
Oriana esperou, esperou e só passada uma hora e meia é que o peixe voltou. Oriana reclamou:
-Chegaste muito tarde. Já devia estar na casa do moleiro há imenso tempo.
-Desculpa! Amanhã, a esta hora, vem de novo ter comigo. Podes-me pedir outro favor.
-Não quero. Vais fazer o mesmo que fizeste quando os animais queriam uma testemunha e tu não apareceste. Não, obrigada.
-Está bem. Estás a ser pobre e mal agradecida. Devias aproveitar.
-Não quero. Vou a casa do moleiro. Adeus! Tenho mais coisa que fazer ao contrário de ti.
-Adeus!
E Oriana foi a casa do moleiro.

Luís Sena
                                                              Esta imagem veio daqui.

O CONSELHEIRO SOLITÁRIO




-Foste tu?! Vou-te matar! Meteste-me neste sarilho e vais pagar - vociferou o dragão.
-Não faças isso! - mandou o rei. - Em vez de o matares, eu despeço-o e, como não tem amigos, além de mim, fica sem casa, sozinho.
Então, o conselheiro fez as malas e foi-se embora. Ficou desesperado, pois, não sabia para onde ir nem com quem ficar.
De noite, foi para um canto ao pé do castelo. Fez uma espécie de cama com cartão e lá dormiu até de manhã. De dia, acordou feliz a pensar que tinha de ir fazer o pequeno-almoço do rei e polir-lhe a coroa, mas pensou um bocadinho e lembrou-se que tinha sido despedido.
-O que será de mim? Ser conselheiro era a minha vida! - lamentou-se.
Começou a avistar um grupo de cavaleiros que vinham à procura do rei para o matar. O conselheiro bateu à porta do castelo. O rei apareceu e disse:
-Vai-te embora!
-Uns cavaleiros vêm matar-te!- exclamou o conselheiro.
-Estou metido num grande sarilho.
O conselheiro foi chamar os seus melhores cavaleiros para os derrotar e conseguiram. O rei recontratou o conselheiro e tudo voltou ao normal.


                                                                                                                                           Luís Artur
Esta imagem veio daqui.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

El-rei Tadinho e o dragão das cinco cabeças

(Continuação de um extrato da obra Graças e desgraças da corte de el-rei Tadinho, de Alice Vieira. O Conselheiro de el-rei tinha acabado de admitir que tinha proclamado aos sete ventos que o rei daria a mão da sua filha em casamento a quem matasse o dragão das cinco cabeças.)

    Depois daquela revelação, o mundo parecia ter parado, tudo estava pasmado a olhar, apenas uma das cinco cabeças do dragão abanava e ria, parecia saber de algo.
    Mas o rei estava tão desiludido com o conselheiro, afinal era suposto que o conselheiro só desse conselhos e não cumpri-los .
    No final de 20 minutos, fez-se silêncio até que uma voz  o quebrou, com um sotaque italiano:
   -Ma Ma Mia! Vamos queimá-lo, cortá-lo e fazer puré com ele! - Esta voz era do cozinheiro, ele era muito vingativo.
   Durante  25 minutos fez-se silêncio até que todos (à exceção de el-rei  Tadinho), gritaram:
   -Apoiado!!
   Então o conselheiro engoliu em seco.
  -  Chega! Basta! Como se atrevem?! - gritou o rei indignado.
  -Ó rei, nós temo razão!
  -Mas onde está  a vossa solidariedade?! - Na verdade, el –rei gostava muito do seu conselheiro.
-Todos  merecem uma  segunda oportunidade.
   -O problema é que já é a centésima vigésima terceira oportunidade que lhe dá! - ripostou o físico.
   -Hammmm…Isso agora não interessa… - desculpou-se o rei.
    -Interessa pois, não se lembra?! O que o contrato diz é:…
   -Pronto, está bem! É o último aviso, conselheiro - concluiu o rei, desculpando-o mais uma vez.
Raquel Sousa